13 de novembro de 2006

EM - Microorganismos Eficazes

O que são?
EM (EM-4 ou EM-5) ou microrganismos eficazes são um conjunto de microrganismos que vivem no solo naturalmente fértil. Nele coexistem mais de 10 gêneros e 80 espécies de microrganismos chamados de eficazes pois agem no solo, fazendo com que a sua capacidade natural tenha plena ação. Pode-se dizer que o EM é constituído basicamente por quatro grupos de microrganismos que são:
- Leveduras: sintetizam substâncias antimicrobianas e outras substâncias necessárias ao crescimento da planta, a partir de aminoácidos e açúcares secretados pela bactéria fotossintética, pela matéria orgânica e pelas raízes das plantas. As substâncias bioativas, tais como hormônios e enzimas produzidas pelas leveduras, provocam atividade celular e divisão de raízes.

- Actinomicetos: controlam fungos e bactérias patogênicas e também conferem às plantas maior resistência aos mesmos, através do contato com patógenos enfraquecidos.

- Bactérias produtoras de ácido lático: produzem ácido de açúcares e de outros carboidratos desenvolvidos pela bactéria fotossintética e pela levedura. A bactéria do ácido lático é um forte composto esterilizante que elimina microrganismos nocivos, melhora a decomposição da matéria orgânica e ainda promove a fermentação e a decomposição de materiais tais como lignina e celulose. Ela também tem a capacidade de eliminar microrganismos que induzem a doenças, como o Fusarium, que se desenvolve em colheitas contínuas.

- Bactérias fotossintetizantes: ou fototrópica são um grupo de micróbios independentes e autônomos. Essas bactérias sintetizam substâncias úteis da secreção de raízes, matéria orgânica e/ou gases nocivos (hidrogênio sulfurado), usando a luz do sol e o calor do solo como fontes de energia. As substâncias úteis desenvolvidas por esses micróbios incluem aminoácidos, ácido nucléicos, substâncias bioativas e açúcares, que impulsionam o crescimento da planta.

Porque usar?

Na natureza, nos solos intocados pelo homem, observasse uma interação natural através da reciclagem de matéria orgânica pelos microrganismos do solo aumentado assim, entre outros fatores, a fertilidade do mesmo.

Já em solos cultivados pelo homem, como o tempo e o mau uso, a degradação é eminente, levando o solo ao esgotamento e ao desequilíbrio da flora microbiana do mesmo. Esse desequilíbrio da flora microbiana favorece o aumente predominante dos microrganismos degenerativos, que produzem no seu metabolismo primário amônia, sulfeto de hidrogênio, mercaptana, entre outros, e que, por estarem em desequilibrio, são desfavoráveis ao desenvolvimento do vegetal, favorecendo o aparecimento de pragas e doenças. A matéria orgânica contida no solo é então decomposta pelos microrganismos degenerativos gerando gases e calor, poluindo ambiente, gerando compostos inorgânicos e contribuindo para a compactação do solo.

Com a introdução de EM no solo, que são microrganismos regenerativos, que produzem substâncias orgânicas úteis às plantas como enzimas, aminoácidos, ácidos nucléicos, etc ..., e no seu metabolismo secundário podem produzir hormônios e vitaminas, ocorre uma melhora nas propriedade físicas, químicas e biológicas. As substâncias liberadas pelos microrganismos ainda exercem, direta ou indiretamente, influência positiva no crescimento da planta. Com o uso do EM teremos novamente o equilíbrio da vida do solo.

Benefícios do uso:
- melhoram a capacidade fotossintética das plantas;
- aumentam a eficácia das matérias orgânicas como fertilizantes;
- melhoram os aspectos físico, químico e biológico do solo;
- eliminam doenças e patógenos do solo;
- fermentam matéria orgânica ao contrário de deteriorá-la. Assim, qualquer tipo de matéria orgânica pode ser usada para fazer composto com EM, já que não há produção de odores ofensivos;
- decompõem matéria orgânica rapidamente, uma vez incorporada no solo;
- facilitam a liberação de quantidades maiores de nutrientes para as plantas.

Alem disso, experiências no campo, têm demonstrado uma uniformidade na germinação de sementes em solos tratados com EM. Em áreas infestadas com plantas invasoras, após a capina e a pulverização com EM e a incorporação ao solo, as mesmas funcionam como fertilizante.
Alguns usuários e pesquisadores atribuem efeito herbicida ao EM-4 e efeitos fungicida e inseticida ao EM-5.

Como produzir/captura:

Atualizado em 28/03/2017
: Veja os vídeos sobre o processo de captura clicando aqui.

Onde e como usar:

- inoculação em sementes (use somente sementes que não foram tratadas com fungicidas): deixar de molho de 10 minutos em solução a 1ml de EM por litro de água (1:1000), deixar secar a sombra e plantar. Outra opção é peletizar as sementes banhando-as com uma solução de 1:100 de EM + biofertilizante e envolvendo-as em cinza ou em uma mistura de farelos (de arroz, soja, manona, osso, peixe, etc...)

- preparo de solo ou berço (cova é de defunto :D ): misture matéria orgânica vegetal (mato, adubação verde, etc...) com ½ de farinha de osso (200 g/m2) + ½ farelo de arroz (200 g/m2) a terra. Molhar BEM o terreno/leiras com uma solução de EM + caldo de cana + água a 1:1:1000 por m2 (em solos muito pobre pode-se usar até 1:1:300). Cobrir o solo com palha ou capim. Se você tiver pressa, após 10 dias pode-se fazer o plantio das sementes ou transplante das mudas. O ideal é aguardar 3 meses para usar o berço e, uma semana antes de plantar, regar com uma solução de EM a 1:1000.

- pulverizações foliares: fazer uma solução de EM + caldo de cana + água a 1:1:1000 e fazer pulverizações foliares semanalmente até observar uma melhora na estrutura do solo e na saúde das plantas, então pulverize quinzenalmente.

- preparos de compostos: fazer os montes de no máximo 1 metro de altura, regar com uma solução de EM a 1:100. Proceder os tratos para como em uma compostagem normal. Não deixar que a temperatura sua alem de 55ºC, caso isso venha a acontecer, revolver o monte. Ao revolver, caso o monte apresente mau cheiro, regar novamente com a solução de EM indicada acima. Dependendo das condições ambientes, do material usado para compostar e do local o composto poderá ficar pronto em 15 dias, no mínimo.

Dicas e cuidados:
 - Não espere resultados imediatos. O EM é um organismo vivo e, para atuar sobre a matéria orgânica, tem que, primeiro, se adaptar ao solo para, aos poucos, ir recuperando-o;
- Utilizar a solução (EM + caldo de cana + água) no mesmo dia de preparo;
- Não pulverizar em horário de sol forte, fazer as pulverizações no final da tarde ou em dias nublados;
- No caso de queimar as bordas das folhas, utilizar uma concentração menor, 1 ml para 2 litros de água;
- Não utilizar água tratada com cloro. Nesse caso separar um recipiente com água e ou deixar - descansar por 24 horas ou use declorante comercial antes de misturar o EM;
- A aplicação de EM só terá bom resultado se observada outras técnicas da Agricultura Orgânica, como: cobertura do solo com palha, adição de matéria orgânica (adubação verde, compostagem, biofertilizante), um bom manejo conservacionista do solo, rotação e consorciação de culturas, entre outras práticas.

Fontes:
- Documento eletrônico: Bases para a produção de Café Orgânico, de Vanessa Cristina de Almeida Theodoro, Ivan Franco Caixeta e Sérgio Pedini;

- CEPAGRI. Agricultura alternativa ecológica. Livro Verde. Caçador. Santa Catarina.
- VALE, F.R. do; GUEDES, G.A. de A.; GUILHERME, L.R.G. Manejo da fertilidade do solo.. Lavras: UFLA/FAEPE, 1995.
- Fundação Mokiti Okada. Introdução a Agricultura Natural. São Paulo, SP, 1982.

24 de outubro de 2006

Recuperando Terras Esgotadas com Coquetel de Sementes



Para recuperar terras esgotadas, empobrecidas pelas monoculturas, queimadas, erosão, etc, existe um sistema muito eficiente de recuperação, desenvolvido pelo engenheiro agrônomo René Piamonte, do Instituto Biodinâmico de Botucatu, SP.

Nesse sistema, misturam-se vários tipos de sementes para serem semeadas no verão/outono. Por exemplo:
- 20 kg de milho;
- 10 kg de mucuna preta;
- 10 kg de feijão de porco;
- 10 kg de lab lab;
- 10 kg de guandú 
- 10 kg de girassol
- 5 kg de crotalária;
- 5 kg de mamona;
- 5 kg de feijão catador
- 4 kg de painço
- 4 kg de leucena;
- 4 kg de calopogonio;
- 5 kg de soja; 
- 4 kg de sorgo
- 2 kg de mileto;
- 0,5 kg de abóbora;
- 2 kg de nabo, etc.


A mistura pode variar conforme a disponibilidade, o preço e a região. A mistura acima é indicada para mais ou menos 1 ha, aproximadamente 100 kg. Se for possível encontrar, recomenda-se misturar alguns inoculantes específicos para leguminosas e 5 kg de fosfato natural como o Araxá ou Yoorin e água suficiente para peletizar as sementes. Deixar secar por algumas horas. A semeação deve ser feita a lanço, em terra bem preparada e calcareada, se necessário, e a incorporação com grade leve ou dependendo da área, com rastelo.

A eliminação do coquetel pode ser realizada com aproximadamente 150 dias, no início do florescimento da mucuna preta, colhendo antes manualmente o milho e o girassol. A produção de massa verde será de 50 a 70 ton/ha.

Também é possível deixar o ciclo das plantas finalizar, com o objetivo de colher as sementes. Assim a produção de massa verde será de 100 a 150 ton/ha. A incorporação pode ser feita superficialmente, com grade em caso de plantio de plantas de porte grande. Em culturas menores, que precisam ser semeadas em canteiros, deve ser usada a enxada rotativa. Quando se incorpora mais profundamente, deve-se deixar a massa verde mais tempo (30 a 60 dias) para se decompor antes da semeação.

A idéia de misturar vários tipos de plantas é como se fosse uma floresta tropical criada em 5 a 6 meses. Cada tipo de planta em um sistema de raízes diferente. O conjunto de raízes explora cada cm cúbico do solo e subsolo fazendo uma extratificação do solo. Cada planta tem uma capacidade diferente de extrair os minerais. O conjunto de plantas traz de volta todo complexo de elementos perdidos que as próximas culturas precisam.*

Para o outono e início de inverno podemos semear uma mistura mais adaptada ao frio e a dias mais curtos, por examplo:
- nabo 2 a 4 kg;
- cereais do inverno como aveia, centeio, cevada, trigo, triticali, trigo morisco, totalizando mais ou menos 60 kg;
- milho 20 kg;
- girassol 4 kg;
- soja 15 kg;
- sorgo 5 kg;
- milheto 2 kg;
- abobora e sobras de sementes de verduras 3 kg etc.


No sul pode se pensar em trevo, tremoso, alfafa, mostarda, etc. No Inverno a cultura deve ser irrigado. Irrigar uma vez para nascer e mais duas vezes durante o ciclo é suficiente.

Além da extratificação do subsolo, o coquetel faz milagres na superfície também. Com a grande diversidade de plantas obtém-se uma grande diversidade de insetos formando um equilíbrio para o controle das pragas nas culturas seguintes.

* Em Botucatu conseguiram plantar várias culturas de verdura em seguida, sem precisar de incorporação de esterco. As análises do solo antes e depois mostraram uma boa melhora no pH, P, K, Ca, Mg , microelementos e material orgânico.

Fonte: Instituto Biodinânico http://www.ibd.com.br/

 

15 de outubro de 2006

Como Fazer sua Horta - Introdução Geral



Bom, vamos a prática: darei aqui um exemplo bem simples de como fazer uma horta orgânica e natural em casa. Com o tempo criarei outros tópicos sobre o assunto e entraremos mais nos detalhes.


Primeiramente penso que o mais importante de tudo em uma horta é a atitude consciênte e de reverência a natureza. Sempre que planto, arranco ou colho algo faço um prece a natureza. Faça isso é sua horta (ou qualquer coisa que plantar) irá crescer com mais vivacidade e energia.

Local: devemos escolher um local que, de preferência, bata sol o dia inteiro, terreno plano ou ligeiramente inclinado e não encharcado.

Escolhido o local, vamos prepara o canteiro. DICA: comece pequeno. Nada de grande canteiros, faça um só e vá aumentando de acordo com sua necessidade.

Adubar esse canteiro com adubo orgânico ou humus. DICA: reaproveite tudo o que sobra na sua cozinha (resto de comida, cascas, talos ...), no seu jardim (folhas caidas, cascas de arvore ...) e outros produtos orgânicos (esterco de animal, palhas, pelos ...) e faça seu próprio adubo (composto orgânico).

Escolha as espécies que você quer plantar e veja qual é o tipo de plantio que ela precisa: mudas, direto ou covas (vem escrito no saquinho das sementes). Divida o canteiro em 4 no comprimento e plante folhosas em 1/4, tuberculos em 1/4 e frutos em 1/4, deixando 1/4 livre. DICA: eu costumo comprar só semente orgânica da BIONATUR http://www.bionatur.com.br/

Depois de plantas é só cuidar com: regar (pela manhã e/ou a tardinha de acordo com o tempo), afofar a terra (umas 2 vezes mês) e fazer a capina consciente: só se tira o mato que esta em volta da sua planta ou atrapalhando seu crescimento, deixando o mato arrancado no local ou levando o mesmo p/a compostagem (não precisa levar para longe como o amigo da foto ai de cima :) )

Depois de colhidos, faça novamente a adubação e faça rotação das culturas: onde você plantou tuberculos, plante folhas; onde plantou frutos, plante tuberculos; na parte vazia do canteiro, arranque o mato (deixando-os sobre a terra ou compostando-os) e plante frutos... e assim vai indo, sempre deixando um pedaço sem plantar onde o mato deve crescer.

É bom dizer que essas dicas não valem apenas paraa quem mora em casa. Pode-se muito bem adapta-las para quem mora em apartamentos ou/com pequenas áreas.

DICA FINAL: de uma olhada em plantas companheiras. Elas ajudam muito no controle das pragas.

6 de outubro de 2006

Mungo-verde? É uma especie de musgo????


Brotos de mungo-verde


Pé e sementes de mungo-verde

Mungo-verde não é uma especie de musgo não. Mungo-verde é uma variedade de feijão (Vigna radiata)  nativo da Índia, muito consumido no Brasil em forma de broto, principalmente pela colônia asiatica e adeptos da alimentação natural.

Bem, o nome foi escolhido pois eu adoro cultivar, brotar e comer mungo-verde!!! Posteriormente vou explicar minha técnica para fazer broto em casa.

5 de outubro de 2006

Cheguei!!!

Mungo-Verde no ar para salvar a pátria :) (qta pretensão!!!)!!!


A inteção é simples: como gosto muito de "encher minhas unhas de terra", plantar, ver as plantinhas crescerem, colher e, principalmente, comer um alimento saudável, sem agrotóxicos e outras "cocitas mas", vou colocar aqui minha experiência e conhecimento no dia-a-dia da minha horta e outros cultivos e com alimentação saudável.

Não sou agricultor, nem hortelão, pelo contrário: sou analista de redes de comunicação de dados (ufá!). Justamente por ficar 8 h/dia sentado na frente de um computador optei pelo hobby de dar com a terra. Mas como gosto de saber muito sobre um assunto antes de polo em prática, acabei me "enterrando de cabeça" nas práticas agricolas (biológicas, biodinâmicas, natural, permacultura, SAF, et cetera) e sustentável que me rendeu muito conhecimento e experiência que pretendo trocar com vocês aqui nesse blog.

Espero que seja útil o q vou postar aqui.

[]s
Neco Torquato