14 de maio de 2016

Soro de Leite na Horta


Como aproveitá-lo como adubo e melhorador de solo


Como produtor caseiro de iogurte grego, coalhada seca e Chancliche (queijo árabe recoberto com zattar) , me preocupo em aproveitar o resíduo da minha produção: o soro. Para cada litro de leite que uso para preparar iogurte grego, sobram 400 ml ou mais de soro. No preparo da coalhada seca e Chancliche, sobram mais de 900 ml, para cada litro de leite!
Iogurte grego e o soro extraído.
Já aproveito o soro de vários maneiras:
- em receitas, no lugar do leite, ou mesmo da manteiga;
- bom para demolhar o feijão, antes de cozinhar, para reduzir os fitatos e oxalatos;
- fermentar vegetais;
- cozinhar macarrão, batata, arroz...;
- dar de beber para meus cães, diluído em água;
- em marinadas para carnes, frangos e peixes;
- além de ser ótimo para memória (vi em uma reportagem do Globo Repórter);

Porém, mesmo não desperdiçando o soro, que extraio quase semanalmente, sempre sobra um restinho que acabo jogando no ralo. Pois, mesmo guardado em geladeira, após 25 dias, o soro fica muito ácido, com odor de queijo velho, praticamente inutilizável.

Em pesquisas para encontrar outras maneiras de utilizar o soro, descobri que, quando usamos cultura bacteriana como coagulante (meu caso), podemos usar o soro como adubo, melhorador de compostagem e supressor de odores. Pois o soro contém - além de muito cálcio - potássio e magnésio, dentre outros elementos. É também rico em bactérias ativas, principalmente lactobacilos.

1 - Os lactobacilos
Os lactobacilos fazem parte do grupo de decompositores primários que, em companhia das leveduras, são responsáveis pelo início da decomposição da matéria orgânica, abrindo caminho para a chegada de outros grupos de decompositores.

Em seus processos metabólicos, os lactobacilos produzem ácido lático, um ácido capaz de controlam enfermidades de fitopatógenos, como o fusarium. Esses ácidos orgânicos também ajudam a solubilização de diferentes tipos de elementos químicos que estão no solo, tornando estes elementos acessíveis as plantas.

Os lactobacilos são também excelentes controladores de odores, neutralizando, por exemplo, os gazes de amônia, muito comuns no processo de compostagem. Também melhora a disponibilidade de nutrientes no composto e no minhocário.

2 - Como usar
2.1 - Para regar as plantas:
O soro é de natureza ácida. Para obter benefícios deste, devemos usar em pequena quantidade.

A diluição 1:1000 de soro em água (ex.: 1ml de soro diluído em 1 litro de água), é mais que suficiente para obter seus benefícios. Uma quantidade maior de soro, em diluição, pode ser prejudicial para o solo.

Usar a diluição acima de 3 em 3 semanas, no meses mais quentes, e 1 vez por mês, nos meses mais frios.

Um cuidado a ser tomado é: regar somente o solo ao redor das plantas, evitando molhar a folhagem. Outro cuidado, principalmente com plantas sensíveis a acidez é, usar soro que foi mantido em geladeira (imediatamente após a sua extração), com, no máximo, uma semana de armazenamento.

Depois de uma semana, mesmo armazenado em geladeira, as bactérias continuam se alimentando da lactose que sobrou no soro, por isso o soro começa a ficar mais ácido. Esse soro NÃO deve ser usado em qualquer planta, mas ainda não precisa ser descartado. Podemos usá-lo para regar plantas que gostam de pH baixo, como coníferas em geral, fruta do milagre, azaleias, rododendros e hortências. Para essas plantas, usar a diluição acima, de 2 em 2 semanas.

2.2 - Na composteira:
Ao preparar a pilha de composto, usar a mesma diluição para regar a composteira. Continuar a regar, 15 em 15 dias, por mais 4 vezes.

Em pilhas já em processo de decomposição, pulverizar a diluição acima, de 2 a 3 vezes, até o fim do processo de compostagem.

2.3 - No minhocário:
Usar a diluição acima para pulverizar o minhocário, uma vez por mês.
Pulverizar soro diluído em água no minhocário.


3 - Dicas:
- ATENÇÃO: Depois de 15 dias armazenado em geladeira, não é recomendado o uso do soro na horta, composteira ou minhocário;
- Usar SEMPRE água sem cloro para diluir o soro de leite, pois água clorada mata as bactérias ativas do soro;
- Utilizar soro de leite proveniente somente de coagulação que utiliza bactérias. Soro proveniente de produtos que utilizam ácidos, vinagre ou limão não devem ser usados;
- Mistura de Calda Fermentada de Plantas (CFP), ou de Chorume de Urtiga, com soro, potencializa a ação de ambos os preparados.

Mais detalhes no vídeo:

3 comentários:

Luiz disse...

Muito boas as dicas, valeu!!

teresacascavel disse...

Bom dia Neco.
Estou fazendo um biofertilizante a base de cascas de verduras e frutas fermentadas com azucar mascavo. Depois de pronto fica bastante ácido, e pensei em adicionar calcário para neutralizar. Mas depois de colocar 5 colheres de sopa por litro continuaba acido.... O calcario não funciona para alcalinizar um adubo liquido? O que posso colocar para aumentar o PH?
Esté fertilizante pretendo usalo em vasos de plantas ornamentais que não gostam de substrato acido.
Fico a espera da sua resposta.
Obrigada
Abço.

Neco Torquato Villela disse...

Olá Teresa,


O calcário abaixa o pH da terra, depois de alguns processos de reação do cálcio e do magnésio em contato com a terra. Em solução (que é o caso do seu biofertilizante) o calcário não age tão intensamente quanto na terra.

Para aumentar o pH uma solução, q vc usará como biofertilizante, vc pode usar cal hidratado ou virgem, ou também hidróxido de potássio.

Para usá-los, dissolva previamente 10g cal ou hidróxido de potássio em 100ml de água. Acrescente esta dissolução, aos poucos, no seu biofertilizante e vá medindo o pH até conseguir o valor desejado.

Boa sorte e inté!