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26 de setembro de 2018

Como fazer: Adubo liquido fermentado



Biofertilizante fermentado com o mato que nasce na sua horta

As plantas espontâneas, também chamada de mato, que nascem à revelia em nossas culturas, quase sempre são um problema tão grande que adotamos um nome pejorativo para tal mato:  plantas daninhas.

É muito comum que façamos a remoção destas “plantas daninhas” e as descartemos, seja em um saco de lixo, deixando-as secar e colocando fogo, ou de outra maneira qualquer. Mas, o que nós esquecemos de observar é que estas “plantas daninhas” cresceram e se desenvolveram no solo da nossa horta, removendo desta os nutrientes para seu crescimento e desenvolvimento. Quando descartamos este “mato”, estamos jogando fora parte da riqueza do nosso solo! Neste mato estão muitos nutrientes que poderiam ser reciclados e usados por outras plantas cultivadas por nós.

Existem algumas maneiras de fazer esta reciclagem de nutrientes. Talvez a mais famosa seja a compostagem que, muitas vezes, é trabalhosa e demorada. Porém, existe uma maneira de extrair e dispor dos nutrientes deste “mato” de uma forma rápida e simples. Esta forma é transformando o “mato” em adubo líquido fermentado.
Mato fermentando dentro da bombona
Para tanto, basta o mato, água e uma fonte de microrganismos. O mato entra com os nutrientes imobilizados. A água é o solvente universal que irá “quebrar” o material orgânico em matéria orgânica. E os microrganismos irão biodisponibilizar os nutrientes para que estes sejam melhor absorvidos pelas plantas que receberão o adubo liquido fermentado.

1 - Como preparar:
Você irá precisar de um tambor/bombona de, no mínimo, 40 litros de capacidade total, com tampa.
a - Encher a bombona até 2/3 da sua capacidade com água sem cloro;
b - Acrescentar o mato roçado ou arrancado, de modo que este ocupe de 1/5 a 1/3 do volume da bombona;
c - Acrescentar mais água a bombona, até cerca de 1 palmo da capacidade total da mesma;
d - Para uma bombona de 40 até 60 litros, acrescentar 1 mão bem cheia de serrapilheira de mata ou 5% do volume total da bombona de microrganismos líquidos (se você não tem os microrganismos líquidos, clique aqui para aprender como obter);
e - Misturar toda esta solução, com a ajuda de um pedaço de pau;
f - Fechar a bombona com a tampa e deixar fermentar por 14 dias.

Material já em processo de fermentação, com formação de fungos na superfície.
2 - Como usar:
Misture 1 litro do adubo líquido fermentado com 10 litros de água e use para regar a base de suas plantas. Esta rega pode ser feita a cada 15 dias no período mais quente do ano ou, a cada 30 dias no período mais frio.

3 - Manutenção do adubo:
Quando o adubo líquido fermentado estiver quase acabando, acrescente mais 1/5 a 1/3 do volume da bombona de mato, complete o volume com água e mais serapilheira ou os microrganismos, na proporção acima. Misturar bem, tampar e aguardar 14 dias para usar.
Não é necessário remover os resíduos de mato que ficam no fundo da bombona. Esta matéria orgânica já está inoculada com microrganismos, em avançado estado de decomposição, e agirão como um starter para o novo adubo líquido fermentado.

4 – Dicas
- Você pode usar restos de cultura (sabugos, palhas, cascas, etc...) para produzir este adubo. Assim, você irá “devolver” ao seu solo, de maneira mais rápida, alguns dos nutrientes que foram absorvidos para produção de sua safra;
- Adubo líquido fermentado feito somente de gramíneas é rico em nitrogênio e é ótimo para ser usado durante a fase de crescimento de nossas culturas;
- NÃO utilize plantas doentes para produção do adubo líquido fermentado.

Veja o vídeo abaixo com mais informações sobre o processo de produção do adubo líquido fermentado:

1 de julho de 2016

Como fazer compostagem somente de folhas secas

Como aproveitar as folhas de outono

Se existe alguma coisa que não falta aqui em casa, no outono, são folhas caídas! Esta abundância que se desprende das árvores nesta época do ano, são como presentes dado pela natureza para nós. Um presente precioso, pois além de podermos transformá-lo em algo especial e útil para melhorar o solo da nossa horta, podemos aprender muito com a simples observação do processo natural de seu surgimento até seu cair (alguma coisa de impermanência, talvez?).
Folhas secas de outono.
Se você já esteve em uma mata preservada, você certamente percebeu a leveza da terra sob seus pés. Provavelmente reparou como o solo é escuro. Se você pegou um pouco deste solo em suas mãos, certamente viu quão suave, de odor agradável e cheio de vida este solo é. Isto tudo é, em grande parte, por conta das folhas que aí um dia caíram, criando um revestimento que ajuda a reter a umidade no solo e, lentamente, se decompõem e alimentam, de forma direta e indireta, toda a vida que ali está.


1 - O composto de folhas

Feito somente de folhas, este composto, ao contrário do processo de compostagem tradicional (que gera calor e depende, em sua maioria, de bactérias esfomeadas para transformar o material orgânico em matéria orgânica), é feito com predominância de fungos que, literalmente, se deliciam com as folhas servidas a eles, gerando menos calor, sendo considerado um processo "a frio". Enquanto a compostagem tradicional leva, em média, 3 meses para atingir a maturidade, o composto de folhas pode demorar até 3 anos.

2 - Benefícios do composto de folhas

Este tipo de composto fornece poucos nutriente as plantas, diferenciando-se assim, mais uma vez, dos composto tradicionais. Por sua vez, ele melhora a estrutura do solo, por isso ele é considerado um condicionador de solo.

Dentro os benefícios que ele pode trazer para seu solo, podemos citar:
  • Melhora a estrutura do solo: ajuda a suavizar solos pesados, como os argilosos;
  • Retenção de água: ele é capaz de absorver até 50 vezes o seu peso em água. Ao misturá-la ao solo, melhoramos a retenção da água, tornando-a facilmente disponível para nossas plantas;
  • Melhora a vida do solo: pois estimula a atividade biológica no solo, criando um ambiente microbiano que ajuda a prevenir pragas e doenças.

3 - Como fazer

Se deixarmos as folhas sobre os solo, depois de caídas, ou amontoá-las em um canto, elas irão, sozinhas, se transformar em composto de folhas, assim como ocorre nas matas e florestas. Porém, este processo pode demorar muitos anos. Quanto mais celulose uma folha tiver, maior será o seu tempo de compostagem.
Folhas secas, recolhidas no meu quintal.

Para dar uma forcinha a natureza e acelerar um pouco este processo, nós iremos dispor da seguinte técnica:

- Usar um inoculante de fungos: a serrapilheira. A serrapilheira é o material que fica depositado no piso das matas e florestas preservadas, composto de montes de folhas, galhos, frutos, etc... em estado de decomposição variado;
- Triturar as folhas recolhidas no nosso jardim e a serrapilheira, separadamente, com a ajuda de um triturador, ou de um cortador de gramas, ou ainda de um facão bem afiado.

3.1 - Em saco plástico:
a) Coloque uma camada de folhas trituradas, de aproximadamente 15 cm, dentro de um saco plástico, que não seja biodegradável;
b) Cobrir com uma camada fina de serrapilheira triturada;
c) Compactar de leve e umedecer com água sem cloro;
d) Repetir os passos "a" e "b", até 3/4 do volume do saco, terminando com uma camada de serrapilheira;
e) Fechar e amarrar bem a boca do saco;
f) Faça vários furos na lateral do saco, com um objeto pontiagudo, da espessura de um lápis, ou menor, para que entre um pouco de ar;
g) Manter o saco a sombra.

3.2 - Em composteira:
a) Repetir os passos "a" e "b" do item 3.1 acima, até encher a composteira;
b) Cobrir a composteira com uma lona, para diminuir a evaporação;

Uma vez por mês, checar a umidade das folhas no saco e na composteira. Se necessário umedecer novamente. No caso do saco: Virá-lo de cabeça para baixo e mantê-lo a sombra. Na composteira: revirar as folhas.

Mais detalhes do processo de produção no vídeo:


Com o uso desta técnica, podemos diminuir o tempo de decomposição das folhas para, no mínimo, 4 meses, chegando até 8 meses a 1 ano, dependendo das condições de umidade das folhas e das condições climáticas.

Você saberá que o processo terminou quando a pilha estiver com cheiro de terra de mata após a chuva, um material escura (quase preta) que lembra o solo de matas e florestas.

Composto de folhas em processo de colonização, por fungos da serrapilheira.

4 - Como usar

  • Incorporar de 5 a 10 litros/mt2 ao solo, antes de plantar. Desta forma, altera a densidade do solo, podendo deixá-lo até 20% menos denso que um solo sem o composto de folhas, tornando-o um ambiente perfeito para o crescimento de raízes;
  • Em coroamento de plantas perenes e anuais, ajuda a manter a umidade durante o verão;
  • Como cobertura de solo, espalhar uma camada de 5 a 8 cm de altura, evita a flutuação extrema de temperatura do solo e mantém a superfície do solo solta, facilitando a entrada de água e retendo umidade no solo, diminuindo a evaporação;
    • Devido a capacidade de retenção de água, em quase 50%, é muito útil no cultivo de hortaliças, podendo reter água por até 2 semanas, o que é ótimo para os períodos mais quentes.
  • Excelente ingrediente para compor o substrato para cultivo, pois sua características são muito semelhante à turfa, podendo ser usada no seu lugar em substratos: Misturar meio-a-meio composto de folhas e húmus de minhoca, para compro um substrato rico em nutrientes para produção de mudas. Ou combinar iguais partes de composto de folhas e perlita

5 - Dicas

- Não adicionar folhas "cruas", sem compostar, direto em seus canteiros. Por serem pobres em nitrogênio, elas roubarão este elemento do solo;
- Alguns autores sugerem acrescentar alguma fonte de nitrogênio a pilha de folhas, para acelerar o processo. Mas, ao fazer isso, estamos alterando o método de decomposição para "compostagem" bacteriana e o produto final terá características e benefícios diferentes do composto de folhas;
- O teor de celulose (lignina) das folhas pode afetar o tempo de decomposição. Quanto mais celulose as folhas tiverem, mais tempo para a decomposição;
- Cuidado: a capacidade de retenção de água pode ser problema em sementeiras, principalmente nos períodos chuvoso, pois podem promover o apodrecimento das sementes no solo.

6 - Fontes

- Utilization of Leaf Compost as Soil Amendment in Cut Flower Production - Abibail A Maynard, PH.D. -  Department of Forestry and Horticulture - Bolletin 1022 - 2010;
- Artigo: Cost Saving Tip-Leaf Litter Mulch - Karen Blaedow - Agriculture and Natural Resources Horticulture - Publicado em Wayne County Winter - 2012
- Organic Gardening for healthy food and a healthy planet - Disponível em: http://www.organicgardeningzen.com/gardening-guide/leaf-mold-guide/ acessado em maio de 2015;
- Experimentos do autor.

4 de junho de 2016

Como extrair Humato

Fonte de ácidos húmicos e fúlvicos para as plantas e o solo

Humato é um nome dado ao extrato de substâncias húmicas, solúveis em água, que contém uma fonte concentrada de compostos de ácidos orgânicos, sendo em maior concentração ácidos húmicos e fúlvicos, além de outros elementos, extraídos de matéria orgânica humificada (húmus).

O humato não é tido como um fertilizante, mais sim como um melhorador dos atributos físicos, químicos e biológicos do solo que, dentre outras coisas:
- Melhora a capacidade de retenção de água;
- Aumenta a disponibilidade de nutrientes;
- Promove a atividade microbiana no solo;
- Favorece o desenvolvimento vegetativo;
- Favorece o desenvolvimento e volume das raízes, propiciando a maior absorção de nutrientes;
- Estimula a atividade enzimática nas plantas;
- Aumenta o teor de clorofila das folhas, favorecendo a fotossíntese, dentre outros benefícios;

Os humatos comerciais, em sua maioria, são extraídos de turfa, leonardita e outras fontes de matéria orgânica.
Turfa secando ao sol.

1 - Como a indústria extrai o humato?

A matéria orgânica humificada é misturada em uma solução alcalina, pois ácidos húmicos e fúlvicos são solúveis neste meio. Posteriormente, após a extração dos ácidos, se necessário, faz-se a acidificação desta solução, a fim de separar os ácidos húmicos dos fúlvicos, pois este se mantêm em solução, enquanto os ácidos húmicos precipitam na mesma.

Para alcalinizar o meio, a indústria utiliza o hidróxido de sódio (soda cáustica), pois este composto químico é dos mais baratos alcalinizantes existentes. O humato de sódio, resultante desta extração, é normalmente usado como complemento da alimenteção animal. Somente após a remoção do excesso de sódio, é possível usar este tipo de humato na agricultura, já que o excesso desse elemento químico pode afetar negativamente a fertilidade do solo.

Outro composto químico usado para extrair o humato é o hidróxido de potássio (potassa cáustica). O humato de potássio, extraído com este composto, é o mais usado na agricultura, já que contém certa quantidade de potássio, que não é prejudicial ao solo, como o sódio.

Outros compostos, como Ca(OH)2, ZnSO4, MgSO4 e Fe(NO3)3 também são usados como alcalinizantes para extração do humato.

2 - Método de extração do humato

O método a seguir é uma alternativa fácil e barata para extração do humato, contido em húmus de minhoca, com resultados positivos na quantidade de ácidos húmicos e fúlvicos e no uso do produto final.

2.1 - Ingredientes e materiais necessários:
- 2,5 litros de água de boa qualidade, sem cloro;
- 500 g de húmus de minhoca, bem curtido;
- 5 g de hidróxido de potássio (potassa cáustica);
- 2 baldes ou tambores de plástico, de 10 litros ou mais;
- 1 peneira de plástico, de trama fina, ou uma meia-calça feminina;
- 1 colher de pau ou plástico;



Materiais opcionais:
- 1 filtro de papel (para café) ou de pano, de trama bem fina;
- 1 garrafa de vidro ou plástico, não transparente, de 2 litros;
- luvas de plástico e óculos de segurança.

CUIDADO: o hidróxido de potássio pode provocar queimadura na pele. Por isso, ao manipulá-lo, utilize sempre luvas e óculos de segurança.

2.2 - Procedimentos:
a) No balde, dissolver a potassa cáustica em 2,5 litros de água;
b) Acrescentar o húmus de minhoca e misturar bem por, pelo menos, 5 minutos, usando a colher de pau;
c) Tampar o balde e deixar esta mescla repousar por 1 hora, ao abrigo do sol e da chuva;
d) Após 1 hora, revolver a mescla novamente, por mais 5 minutos. Repetir este procedimento por mais 5 vezes;
e) Passar a mescla pela peneira de trama fina. A parte líquida resultante já é o humato;
f) Manter o humato em balde tampado, ao abrigo do sol e da chuva, por 12 horas;
g) Após 12 horas, já podemos usar o humato para regar nossas plantas;

Repousar por 1 hora, ao abrigo do sol e da chuva.


2.3 - Procedimentos opcionais:
a) Caso for utilizar o humato em um pulverizador, para aplicação foliar, filtrar o humato em filtro de pano, de trama bem fina, ou em um filtro de café;
b)  Filtrado, o humato pode ser armazenado, em garrafa de vidro ou plástico escuro, por até 7 dias.

Mais detalhes sobre estes processos no vídeo:

3 - Como usar

  • Tratamento de sementes para plantio: deixar as sementes de molho em solução de humato a 50% (exemplo: 50 ml de humato + 50 ml de água), de 10 a 30 minutos. Quanto mais dura a semente, maior o tempo de molho;
  • No preparo da terra para cultivo: regar o solo, após a aplicação dos demais adubos e insumos, na diluição de 100 ml por litro de água, pelo menos, 15 dias antes do plantio;
  • Em cultivos anuais: 20 ml por litro de água, a cada 30 dias;
  • Em árvores e arbustos não estabelecidos: de 30 ml a 50 ml por litro de água, a cada 30 dias, dependendo do porte da planta;
  • Em árvores e arbustos já estabelecidos: de 50 ml a 100 ml por litro de água, a cada 30 dias, dependendo do porte da planta;
  • Em plantas ornamentais e gramado: 30 ml por litro de água, a cada 30 dias;
  • Em plantas aquáticas: diluir 10 ml para cada litro de água do tanque, duas vezes ao ano.

4 - Dicas

  • Durante a extração e armazenamento do humato, evite o contato do mesmo com qualquer tipo de metal;
  • Na aplicação, sempre regar o solo com humato e pulverizar via foliar;
  • Evitar pulverização foliar quando as plantas estiverem floridas. Nesse período, somente regar o solo;
  • Não se obtêm resultados na aplicação de humato em solo que não contém matéria orgânica;
  • A fração sólida, resultante dos passos e e h, do item 2.2 acima, pode ser usada como adubo, após seco ao sol.

Resto do processo de extração do humato, secando ao sol.

5 - Fontes

- Effects of humic acids from vermicomposts on plant growth - Norman Q. Arancon e outros - European Journal of Soil Biology, 2006;
- Stimulation of Plant Growth by Humic Substances - Yong Seok Lee and Richmond J. Bartlett - SSSAJ, 1976;
- Method for the production of humic acids, humates, and of compositions - M. Folmizano e outros, I C B Spa Ind Chimica E Biolog - 1972;
- artigo How to produce Potassium Humate - link: www.cnhumicacid.com/how-to-produce-potassium-humate/- acessado em maio/2016.

25 de abril de 2016

Confrei na horta e jardim - Parte 2

Adube suas plantas e combata lesmas com essa planta fantástica.


Segunda parte do artigo sobre confrei. Para ler a parte 1, clique aqui.
Flor de Confrei

Mais utilidades dessa planta fantástica, nesse segundo vídeo da série sobre uso do confrei na nossa horta. Nesse vídeo você irá aprender a usar o confrei como:
1 - Preparado de calda fermentada de confrei com esterco de galinha: misturar 1 litro de calda fermentada de confrei + 35 g de esterco de galinha, em 3 litros de água, misturando bem, até dissolver todo o esterco. Diluir essa mistura em 10 litros de água e regar a base das plantas, de 15 em 15 dias. Fantástico para produção de tomates e solanaceas de modo geral, pois o equilíbrio entre nitrogênio e potássio propicia o desenvolvimento vegetativo da planta e a formação de flores e frutos.

2 - Como planta companheira: Excelente companheira para árvores e arbustos, principalmente frutíferas. Confrei plantado sob as árvores, na projeção da copa da mesma, ajudam a mobilizar nutrientes, do fundo do nosso solo. As folhas mais velhas do confrei, não colhidas, se decompõem, melhorando o solo sob as árvores.

3 - Ativador de composto: Por ser também fonte de nitrogênio, rico em proteínas e pouco fibroso, o confrei se decompõem muito rapidamente. Se colocado no composto, ele acelera o processo de decomposição da matéria orgânica da mistura, fazendo com que a pilha esquente mais rapidamente e liberando os nutrientes (acumulados nas folhas), na pilha de compostagem. Fazendo com que o produto final seja de melhor qualidade. Pode-se misturar as folhas de confrei picadas, diretamente sobre o composto, ou então, bater no liquidificador algumas folhas de confrei, com água, e regar a composteira com essa mistura.

4 - Substrato para cultivo: As folhas das árvores, que caem no fim do outono, são ricas em carbono. Já as folhas de confrei são ricas em nitrogênio. Podemos acelerar o processo de decomposição das folhas decaídas das árvores, usando a característica de ativador de composto do confrei, ao mistura-los e deixando-os compostar. Coloque em uma composteira, ou em um saco de lixo, 10 cm de folhas de árvores trituradas, cubra com uma camada fina de folhas de confrei trituradas e umedeça levemente. Repita o processo até completar o volume da composteira/saco. Depois de 2 a 3 meses, dependendo da temperatura, a mistura transforma-se em um substrato riquíssimo para uso em sementeiras e cultivo de mudas em geral.

5 - Impulso inicial para mudas: Durante o preparo do berço, para plantio de nossas mudas, colocar 1 ou 2 folhas de confrei, bem picadas, no fundo deste berço. Cobrir as folhas com um pouco de matéria orgânica já decomposta, como húmus de minhoca ou composto. Completar o berço com terra, regar e cobrir com folhas secas. Aguardar uma semana e plantar a muda no berço. As folhas de confrei se decompõem rapidamente, liberando os nutrientes que estas acumularam, fornecendo nutrientes essenciais para o bom desenvolvimento das mudas.

6 - Combate a lesmas e caracóis: As folhas de confrei, quando iniciam o processo de decomposição, são irresistíveis para lesmas e caracóis. Se sofremos com infestação de lesmas e caracóis na nossa horta, devemos, antes de usar as folhas de confrei como adubo ou cobertura de solo, espalhar algumas destas folhas no local da infestação. Dessa maneira, as folhas funcionam como armadilhas para as lesmas, que irão se agrupar sobre e sob as folhas, facilitando assim a catação das mesmas.


Vídeo parte 1 aqui.


4 de abril de 2016

Confrei na horta e jardim - Parte 1

Fantástica planta multi-propósito, com vários usos na horta e jardim


O Confrei (Symphytum officinale) é muito utilizado na medicina natural e alopática, com usos já conhecidos e comprovados científicamente. Por esse motivo, é muitas vezes cultivado em hortas e jardins.

Mas você sabia que o confrei também é um grande aliado do hortelão e jardineiro, podendo ser usado de várias maneiras, beneficiando nossa produção, acelerando o processo de compostagem e melhorando nosso solo?
Confrei

Para demonstrar algumas possibilidades de uso do comfrei, na nossa horta, farei uma série de dois vídeos, acompanhados de um pequeno artigo explicativo. No primeiro vídeo você verá:
1 - Dicas de cultivo do confrei: como e onde plantar.

2 - Acumulador de minerais e descompactador de solo: a fantástica capacidade do confrei de mobilizar minerais, das "profundezas" do solo, para suas folhas, principalmente potássio e nitrogênio, mas também magnésio, manganês, zinco e cobre, dentre outros, em menor quantidade, além da capacidade de suas raízes de penetrar fundo no solo, descompactando-o..

3 - Como e quando colher: aproveitamento máximo da produção de folhas, colhendo as folhas maiores, de 2 em 2 meses.

4 - Como cobertura de solo: as folhas picadas, ou inteiras, colocadas ao lado dos nossos cultivos, disponibilizam seus nutrientes para nossas plantações.

5 - Aliado da produção de batata: aumento da produção e batatas mais saborosas, usando o confrei, na cobertura de solo.

6 - Adubação de arbustos, frutíferas e árvores perenes: favorece a formação de novos frutos, usando as folhas de confrei, na cobertura de solo.

7 - Calda fermentada de plantas: especialmente benéfica para tomates, pepinos, melancias e leguminosas.




Clique aqui para saber como preparar Calda Fermentada de Planta.

Não deixe de ler a PARTE 2 desse artigo, clicando aqui.


 

14 de março de 2016

Chorume de Urtiga

Fertilizante orgânico simples de fazer, barato, que disponibiliza muitos nutrientes para o solo e plantas.


1 - O que é:

O chorume de urtiga é um dos melhores fertilizantes orgânicos, além de inseticidas e fungicida naturais, não tóxicos para o ambiente. Rico em nitrogênio, sílica e ferro, age como um poderoso estimulante da flora microbiana do solo, favorece a formação de húmus e estimulando o crescimento das plantas, além de prevenir e tratar pragas de afídios em geral (como os pulgões) e fungos (como oídio e míldio). Como o uso constante, reduz o ataque de pragas e da resistência as plantas contra várias doenças, além de melhorar a estrutura do solo, promovendo a degradação da matéria orgânica.

2 - Como fazer:

 


Chorume pronto: uma "nata" forma-se sobre o liquido e nenhuma parte da urtiga boiando.

3 - Aplicação:

- Como inseticida e fungicida: puro, pulverizar uma vez por semana até o controle da praga;
- Como estimulante foliar: diluído a 10% (1L de chorume para 10L de água), regar, ou via foliar, de 15/15 dias ou uma vez por mês;
- Como estimulante do solo, ativador de composto e das raízes das plantas: diluído a 20% (2L de chorume para 10L de água), regar a terra de 15/15 dias ou uma vez por mês.

4 - Dicas:

- Brassicas (brócolis, couve, etc) e solanáceas (tomate, batata, pimenta, etc) “adoram” o chorume de urtiga;
- Frutíferas, roseiras e árvores perenes também gostam muito desse chorume.
- Leguminosas cebolas e alhos NÃO toleram bem esse preparado; - Utilize água não clorada para a produção do chorume;
- As urtigas que se encontram na beira da estrada NÃO devem ser usadas, pois absorvem o chumbo libertado pelos escapamentos dos carros, gerando um chorume tóxico para as plantas.

5 - Fontes:

- Practical Guide to biodynamic preparations, de Harald Kabisch;
- Artigo "Plants to cure other plants" de Jean-Luc Petit;

30 de novembro de 2013

Calda Fermentada de Plantas (CFP)

Fertilizante líquido rico em microrganismos, fitohormônios e nutrientes

A Calda Fermentado de Plantas (CFP) é uma forma de extrair clorofila e a seiva celular (fonte de hormônios vegetais, aminoácidos, dentre outros) das plantas, além de também propagar os microrganismos benéficos que potencializam os efeitos das substancias extraídas, tornando a calda um produto vivo, possuidor de ação terapêutica e fisiológica.

Na superfície das folhas das plantas vivem cerca de 100 mil a 150 mil microrganismos por 1cm2. A grande maioria são lactobacilos e leveduras benéficas que contribuem para o desenvolvimento saudável das plantas.

Para se extrair a seiva das plantas é necessário utilizar açúcar que age gerando uma pressão osmótica no tecido vegetal, rompendo-o e extraindo os seus fluidos. A clorofila extrai-se utilizado álcool em baixa diluição.

Os microrganismos contidos na superfície das folhas da própria planta, juntamente com o açúcar, irão fermentar. Essa fermentação gera uma pequena quantidade de álcool, que extrairá a clorofila. Também pela fermentação, as substancias que compõem as plantas são "quebradas" em pequenas moléculas, através de enzimas produzidas pelos microrganismos. Ao optarmos pelo açúcar mascavo também agregamos cálcio, magnésio e potássio a nossa calda. O resultado final é uma calda com substancias biodisponível, de fácil e rápida absorção para as plantas.

1 - Benefícios do uso da CFP:
- estimula a flora microbiana protetora das plantas, aumentando sua resistência ao ataque de pragas e doenças;
- estimula o processo fotosintético nas plantas;
- revitaliza a flora microbiana benéfica do solo e recuperar a fertilidade do mesmo;
- acelera a decomposição de matéria orgânica;
- melhora o enraizamento das plantas, estimulando o crescimento radicular;
- melhora o estado sanitário do cultivo;
- eleva a concentração de açúcar em frutas, em 1 ou 2 graus brix, melhorando seu sabor;
- contribui para prevenir o caimento de frutos;
- aumenta o conteúdo de vitaminas, minerais e outras substancias em hortaliças;
- incrementa a flora intestinal dos animais, melhorando sua digestão e, conseqüentemente, a absorção de nutrientes.

2 - Processos de extração da CFP:
Existem 2 processos que podem ser usados para extrair a CFP:
a -utilizando os microrganismos contidos na própria planta;
b -utilizando uma colônia de microrganismos benéficos já cultivado, como por exemplo EM.

Descreveremos aqui o primeiro método. Em outro artigo será descrito o segundo método.

3 - Quais plantas podemos usar

Para selecionar quais plantas devemos usar, para produzir a CFP, devemos observar os critérios abaixo:
a - utilize somente partes de plantas que nunca tenham recebido pulverização de veneno agrícola;
b - jamais utilize plantas que estejam doentes, com partes amareladas ou atacada por pragas;
c - escolher plantas que crescem rapidamente (artemísia, broto de bambu, abóbora, bananeira, caruru, etc)
d - plantas que são e estão vigorosas;
e - utilizar os brotos das plantas, folhas jovens, brotações laterais, ponteiros e flores novas (contém mais hormônios de crescimento e energia do que outras partes das plantas);
f - ervas de reconhecido valor medicinal são bem vindas na produção do CFP (camomila, funcho, etc);
g - plantas marinhas, como as algas, também são bem vindas.

4 - Como colher as plantas:
Para que tenhamos um produto de maior qualidade, observamos os critérios abaixo na hora da colheita da plantas:
a - Se possível, colher antes do nascer do sol. Esse é o período em que a planta apresenta maior quantidade de nutrientes e de maior vitalidade. Quando o sol nasce, inicia-se a fotossíntese e a energia da planta e parcialmente armazenada no caule e nas folhas. No fim da tarde, mais ou menos a partir das 15-16 horas, a planta inicia o catabolismo, armazenando a energia de forma intensiva;
b - Se não for possível colher antes do nascer do sol, colher o mais cedo possível, antes que os raios solares incidam sobre as plantas;
c - Processar imediatamente o material colhido, para que não aja perda de energia;
d - Evitar colher em períodos de estiagem prolongados. Se for realmente necessário produzir CFP em épocas de longa estiagem, regue a planta escolhida 1 vez por dia, durante 2 dias antes da colheita.
e - Evitar colher em períodos de chuva prolongada, pois a chuva "lava" os microrganismos benéficos das folhas. É aconselhável colher as folhas 2 a 3 dias após a chuva;
f - Não misture muitos tipos de plantas de uma vez, escolha no máximo 3 variedades;
g - não utilizar plantas que crescem ao lado de rodovias e vias públicas.

Confrei e alfafa, colhidos segundo os critérios acima, para extração de CFP

5- Montagem do extrator da calda:
Material:
a - 1 garrafa PET de 2 litros ou mais, sem tampa;
b - papel filtro do diâmetro da garrafa PET;
c - peso de papel ou outro material pesado;
d - pedaço de pano, ou de papel, com diâmetro pouco maior que a garrafa PET;
e - gomas elásticas;
f - fita adesiva para embalagem.
Extrator de CFP já pronto com o papel filme no fundo do funil

Montagem:
a - cortar a garrafa PET em duas partes, de modo que tenhamos um jarro equivalente a, aproximadamente, 1/3 da parte inferior da garrafa, e um funil equivalente a, aproximadamente, 2/3 da parte superior da garrafa;
b - encaixar a parte do funil na parte do jarro, de forma que o bico do funil fique dentro do jarro;
c - colocar o papel filtro no fundo do funil.

6 - Procedimento de extração da CFP:
a - colher as folhas, flores ou brotos, suficientes para encher, com folga, o funil de PET;
b - não lavar, descascar ou remover o orvalho (caso tenha) do material colhido. Se o material colhido estiver sujo, chacoalhe-o para remover a sujeita;
d - picar imediatamente o material colhido, em pedaços de 5 a 10 cm;
e - pesar o material picado;
f - misturar açúcar mascavo ao material picado, na proporção de 10% a 40% do peso do material picado. Quanto mais úmido for o material picado, menos açúcar mascado deve-se mistura;
Folhas de bananeira e trevo já picados e misturados com açúcar mascavo.

g - passar a fita de embalagem na junção do jarro com o funil de PET, impedindo assim que o funil se movimente, a entrada de ar ou insetos;
h - colocar o material misturado dentro do funil de PET e colocar o peso de papel sobre o material;
i - colocar um pano/papel sobre a boca do funil de PET e usar as gomas elásticas para prender o pano/papel;

j - guardar o extrator de calda e um local com temperatura ambiente de 20º a 30º e a sombra;
k - após 12 horas, destampar o extrator, remover o peso de papel e tampar novamente o funil com o pano;
l - repetir o passo "i" acima e aguardar a fermentação de 5 a 15 dias;
m - após o período de fermentação, remover a fita adesiva e transferir a CFP para outro recipiente, conforme instruções do item 9 abaixo.
CFP extraído depois de alguns dias de fermentação

7 - Como verificar se a CFP está pronta:
- Quanto menor a temperatura, mais lenta a fermentação e mais dias deve-se aguardar para extração completa da calda. Um parâmetro médio é: temperatura por volta dos 27ºC/7 dias para fermentação;
- A calda extraída deve ter um odor que lembra fermentação, levemente agridoce para alcoólico;
- A cor varia de verde escuro a marrom, dependendo do material utilizado;
- A presença de fungos na superfície da calda (pequenos aglomerados brancos) também é normal e desejável.
CFP já fermentado

8 - Como usar o CFP:
Sempre utilizar água não clorada para a diluição da CFP. Utilize a solução para pulverizar ou regar as plantas.
- Tratamento pré-plantio de sementes: deixar as sementes de molho, de 10 a 30 minutos, em solução de 15 ml de CFP por litro de água (15:1000). Quanto mais dura a semente, mais tempo de molho;
- Preparo de solo e berço para o plantio: pulverizar solução de 30:1000 (30 ml, ou 2 colheres de sopa, de CFP por litro de água) sobre o solo ou berço já pronto, 5 dias antes do plantio;
- Plantas recém germinadas e brotos: solução de CFP a 5:1000,de 15 em 15 dias;
- Pulverização foliar e zona de raízes de plantas já estabelecidas: solução de CFP a 10:1000 de 15 em 15 dias, por 2 meses. Depois de 2 meses, solução de CFP a 5:1000 de 15 em 15 dias;
- Plantas em floração: solução de CFP a 1:1000, de 20 em 20 dias, até o primeiro sinal de frutificação ou até as flores murcharem;
- Plantas com frutas: solução de CFP a 1:1000 nas folhas e zona de raízes, de 15 em 15 dias. Nas frutas, aguarde as mesmas atingir seu tamanho máximo, antes de amadurecer, e pulverize-as com solução de CFP a 1:2000, 1 vez. ATENÇÂO: A CFP só deve ser aplicada diretamente em frutas que não forem produzidas para fins comercias, pois a solução de CFP, embora aumente o teor de açucar das frutas (brix), pode causa algumas manchas na casca das algumas variedades de frutas, como maça e pera, tornando-as menos atrativa para o comercio. Na dúvida, faça o teste em alguns frutos;
- antes da colheita: solução de CFP a 1:5000, 7 dias antes da colheita;
- composto e minhocário: pulverizar solução de CFP a 15:1000 de 15 em 15 dias;
- alimentação de animais: substituir a água dos animais por solução de CFP a 15:1000. Excelentes probiótico para aves e porcos.

A pulverização deve ser feita pela manhã, antes das 9h00 ou após a chuva, com o tempo ainda nublado.

CFP também pode ser usado sobre os resíduos de cultura que serão incorporados ao solo, melhorando assim as condições fitossanitárias do solo pós e pré-cultura.

A eficiência do EM-5 pode ser potencializada misturado-o ao CFP em igual proporção.

9 - Conservação do CFP:
Caso não for utilizar a calda imediatamente, armazene-a dentro de uma garrafa PET escura, de modo que a CFP ocupe, no máximo, 2/3 da garrafa. Acrescentar 5% (volume) de açúcar mascavo a calda e agitar bem. Com a tampa da garrafa frouxa, armazenar na parte baixa da geladeira (não na porta) por até 3 meses ou até começar a exalar cheiro fétido. Uma vez por semana agitar o conteúdo da garrafa. Duas semanas após colocar a CFP na geladeira, a tampa deve ser apertada.
CFP pronto para ser armazenado na geladeira

10 - Dicas:
- as primeiras plantas que brotam, logo após as chuvas, são outra boa opção para o preparo da CFP;
- plantas espontâneas (ditas daninhas) e plantas que ficam mais tempo verde no final do outono e que resistem bem ao inverno, são também uma ótima opção;
- os ponteiros e gemas das plantas, assim como brotações axilares dos ramos, são as partes mais ricas em nutrientes e hormônios de crescimento;
- extratos feitos de uma variedade só de planta são mais potentes, pois a fermentação se da mais por completa, já que a variedade da planta influi no tempo de fermentação;
- CFP de uma única planta, principalmente as feitas de brotos (ex.: CFP feito de broto de milho para pulverizar o milharal em formação), dão um resultado excepcional. Jojie Lim, filipina defensora e diceminadoras do uso do CFP, diz que "é como se dar leite materno a um bebê".
- plantas colhidas no período de lua cheia rendem mais calda;
- o material que sobrou da fermentação, que ficou no funil, pode ser colocado na composteira ou no minhocário como fonte de carbono;
- escreva sobre o pano/papel que tampa o fermentador a data de início da fermentação para facilitar o acompanhamento da data final do processo;
- se tiver problemas com formigas atacando o fermentador, coloque-o sobre um prato com água.

11 - Fontes:

- Natural Farming - Kyu, Cho Han - Janong Natural Farming Institute, 2003;
- A Natural Farming System for Sustainable Agriculture in the Tropics - Mikkelson, Keith O -  Aloha House, Inc. Filipinas, 2005;
- Applied Natural Farming: Appropriate Technique in Tropic - Tancho, Arnat - Biotec MTEC Tailândia, 2008.