Segue a fórmula da solução nutritiva (meio de cultura), que eu usei no vídeo abaixo, para produção ON GARDEN (em contra partida a ON FARM) de Bacillus subtilis ou qualquer outro tipo de bactéria benéfica de interesse agrícola.
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9 de outubro de 2022
26 de setembro de 2018
Como fazer: Adubo liquido fermentado
Biofertilizante fermentado com o mato que nasce na sua horta
As plantas espontâneas, também chamada de mato, que nascem à
revelia em nossas culturas, quase sempre são um problema tão grande que
adotamos um nome pejorativo para tal mato:
plantas daninhas.
É muito comum que façamos a remoção destas “plantas daninhas” e as descartemos, seja em um saco de lixo, deixando-as secar e colocando fogo, ou de outra maneira qualquer. Mas, o que nós esquecemos de observar é que estas “plantas daninhas” cresceram e se desenvolveram no solo da nossa horta, removendo desta os nutrientes para seu crescimento e desenvolvimento. Quando descartamos este “mato”, estamos jogando fora parte da riqueza do nosso solo! Neste mato estão muitos nutrientes que poderiam ser reciclados e usados por outras plantas cultivadas por nós.
Existem algumas maneiras de fazer esta reciclagem de
nutrientes. Talvez a mais famosa seja a compostagem que, muitas vezes, é
trabalhosa e demorada. Porém, existe uma maneira de extrair e dispor dos
nutrientes deste “mato” de uma forma rápida e simples. Esta forma é
transformando o “mato” em adubo líquido fermentado.
Para tanto, basta o mato, água e uma fonte de microrganismos.
O mato entra com os nutrientes imobilizados. A água é o solvente universal que
irá “quebrar” o material orgânico em matéria orgânica. E os microrganismos irão
biodisponibilizar os nutrientes para que estes sejam melhor absorvidos pelas
plantas que receberão o adubo liquido fermentado.
1 - Como preparar:
Você irá precisar de um tambor/bombona de, no mínimo, 40
litros de capacidade total, com tampa.
a - Encher a bombona até 2/3 da sua capacidade com água sem
cloro;
b - Acrescentar o mato roçado ou arrancado, de modo que este
ocupe de 1/5 a 1/3 do volume da bombona;
c - Acrescentar mais água a bombona, até cerca de 1 palmo da
capacidade total da mesma;
d - Para uma bombona de 40 até 60 litros, acrescentar 1 mão
bem cheia de serrapilheira de mata ou 5% do volume total da bombona de
microrganismos líquidos (se você não tem os microrganismos líquidos, clique aqui para aprender como obter);
e - Misturar toda esta solução, com a ajuda de um pedaço de
pau;
f - Fechar a bombona com a tampa e deixar fermentar por 14
dias.
| Material já em processo de fermentação, com formação de fungos na superfície. |
2 - Como usar:
Misture 1 litro do adubo líquido fermentado com 10 litros de
água e use para regar a base de suas plantas. Esta rega pode ser feita a cada
15 dias no período mais quente do ano ou, a cada 30 dias no período mais frio.
3 - Manutenção do adubo:
Quando o adubo líquido fermentado estiver quase acabando,
acrescente mais 1/5 a 1/3 do volume da bombona de mato, complete o volume com
água e mais serapilheira ou os microrganismos, na proporção acima. Misturar
bem, tampar e aguardar 14 dias para usar.
Não é necessário remover os resíduos de mato que ficam no
fundo da bombona. Esta matéria orgânica já está inoculada com microrganismos,
em avançado estado de decomposição, e agirão como um starter para o novo adubo
líquido fermentado.
4 – Dicas
- Você pode usar restos de cultura (sabugos, palhas, cascas,
etc...) para produzir este adubo. Assim, você irá “devolver” ao seu solo, de
maneira mais rápida, alguns dos nutrientes que foram absorvidos para produção
de sua safra;
- Adubo líquido fermentado feito somente de gramíneas é rico
em nitrogênio e é ótimo para ser usado durante a fase de crescimento de nossas
culturas;
- NÃO utilize plantas doentes para produção do
adubo líquido fermentado.Veja o vídeo abaixo com mais informações sobre o processo de produção do adubo líquido fermentado:
27 de setembro de 2017
Coleta e Multiplicação de Microrganismos Eficazes (EM) - Parte 3
Vídeo complementar, parte 3, do artigo Microrganismos Eficazes deste blog.
Nos vídeos, explico algumas dicas finais e falo sobre como usar os microrganismos capturados. Mais detalhes, leia o artigo original.
Vídeo parte 3:
Vídeo parte 1: clique aqui
Vídeo parte 2: clique aqui
Nos vídeos, explico algumas dicas finais e falo sobre como usar os microrganismos capturados. Mais detalhes, leia o artigo original.
Vídeo parte 3:
Vídeo parte 1: clique aqui
Vídeo parte 2: clique aqui
14 de abril de 2017
Coleta e Multiplicação de Microrganismos Eficazes (EM) - Parte 2
Vídeo complementar, parte 2, do artigo Microrganismos Eficazes deste blog.
Nos vídeos, demonstro adaptações feitas no item Como Produzir do artigo acima, resultado de dicas de alguns leitores, muitas pesquisas e experimentações.
Vídeo parte 2:
Vídeo parte 1: clique aqui
Vídeo parte 3: clique aqui
Nos vídeos, demonstro adaptações feitas no item Como Produzir do artigo acima, resultado de dicas de alguns leitores, muitas pesquisas e experimentações.
Vídeo parte 2:
Vídeo parte 1: clique aqui
Vídeo parte 3: clique aqui
29 de março de 2017
Coleta e Multiplicação de Microrganismos Eficazes (EM) - Parte 1
Vídeo complementar, parte 1, do artigo Microrganismos Eficazes deste blog.
Nos vídeos, demonstro adaptações feitas no item Como Produzir do artigo acima, resultado de dicas de alguns leitores, muitas pesquisas e experimentações.
Vídeo parte 1:
Vídeo parte 2: clique aqui
Nos vídeos, demonstro adaptações feitas no item Como Produzir do artigo acima, resultado de dicas de alguns leitores, muitas pesquisas e experimentações.
Vídeo parte 1:
Vídeo parte 2: clique aqui
30 de novembro de 2013
Calda Fermentada de Plantas (CFP)
Fertilizante líquido rico em microrganismos, fitohormônios e nutrientes
A Calda Fermentado de Plantas (CFP) é uma forma de extrair clorofila e a seiva celular (fonte de hormônios vegetais, aminoácidos, dentre outros) das plantas, além de também propagar os microrganismos benéficos que potencializam os efeitos das substancias extraídas, tornando a calda um produto vivo, possuidor de ação terapêutica e fisiológica.
Na superfície das folhas das plantas vivem cerca de 100 mil a 150 mil microrganismos por 1cm2. A grande maioria são lactobacilos e leveduras benéficas que contribuem para o desenvolvimento saudável das plantas.
Para se extrair a seiva das plantas é necessário utilizar açúcar que age gerando uma pressão osmótica no tecido vegetal, rompendo-o e extraindo os seus fluidos. A clorofila extrai-se utilizado álcool em baixa diluição.
Os microrganismos contidos na superfície das folhas da própria planta, juntamente com o açúcar, irão fermentar. Essa fermentação gera uma pequena quantidade de álcool, que extrairá a clorofila. Também pela fermentação, as substancias que compõem as plantas são "quebradas" em pequenas moléculas, através de enzimas produzidas pelos microrganismos. Ao optarmos pelo açúcar mascavo também agregamos cálcio, magnésio e potássio a nossa calda. O resultado final é uma calda com substancias biodisponível, de fácil e rápida absorção para as plantas.
1 - Benefícios do uso da CFP:
- estimula a flora microbiana protetora das plantas, aumentando sua resistência ao ataque de pragas e doenças;
- estimula o processo fotosintético nas plantas;
- revitaliza a flora microbiana benéfica do solo e recuperar a fertilidade do mesmo;
- acelera a decomposição de matéria orgânica;
- melhora o enraizamento das plantas, estimulando o crescimento radicular;
- melhora o estado sanitário do cultivo;
- eleva a concentração de açúcar em frutas, em 1 ou 2 graus brix, melhorando seu sabor;
- contribui para prevenir o caimento de frutos;
- aumenta o conteúdo de vitaminas, minerais e outras substancias em hortaliças;
- incrementa a flora intestinal dos animais, melhorando sua digestão e, conseqüentemente, a absorção de nutrientes.
2 - Processos de extração da CFP:
Existem 2 processos que podem ser usados para extrair a CFP:
a -utilizando os microrganismos contidos na própria planta;
b -utilizando uma colônia de microrganismos benéficos já cultivado, como por exemplo EM.
Descreveremos aqui o primeiro método. Em outro artigo será descrito o segundo método.
3 - Quais plantas podemos usar
Para selecionar quais plantas devemos usar, para produzir a CFP, devemos observar os critérios abaixo:
a - utilize somente partes de plantas que nunca tenham recebido pulverização de veneno agrícola;
b - jamais utilize plantas que estejam doentes, com partes amareladas ou atacada por pragas;
c - escolher plantas que crescem rapidamente (artemísia, broto de bambu, abóbora, bananeira, caruru, etc)
d - plantas que são e estão vigorosas;
e - utilizar os brotos das plantas, folhas jovens, brotações laterais, ponteiros e flores novas (contém mais hormônios de crescimento e energia do que outras partes das plantas);
f - ervas de reconhecido valor medicinal são bem vindas na produção do CFP (camomila, funcho, etc);
g - plantas marinhas, como as algas, também são bem vindas.
4 - Como colher as plantas:
Para que tenhamos um produto de maior qualidade, observamos os critérios abaixo na hora da colheita da plantas:
a - Se possível, colher antes do nascer do sol. Esse é o período em que a planta apresenta maior quantidade de nutrientes e de maior vitalidade. Quando o sol nasce, inicia-se a fotossíntese e a energia da planta e parcialmente armazenada no caule e nas folhas. No fim da tarde, mais ou menos a partir das 15-16 horas, a planta inicia o catabolismo, armazenando a energia de forma intensiva;
b - Se não for possível colher antes do nascer do sol, colher o mais cedo possível, antes que os raios solares incidam sobre as plantas;
c - Processar imediatamente o material colhido, para que não aja perda de energia;
d - Evitar colher em períodos de estiagem prolongados. Se for realmente necessário produzir CFP em épocas de longa estiagem, regue a planta escolhida 1 vez por dia, durante 2 dias antes da colheita.
e - Evitar colher em períodos de chuva prolongada, pois a chuva "lava" os microrganismos benéficos das folhas. É aconselhável colher as folhas 2 a 3 dias após a chuva;
f - Não misture muitos tipos de plantas de uma vez, escolha no máximo 3 variedades;
g - não utilizar plantas que crescem ao lado de rodovias e vias públicas.
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| Confrei e alfafa, colhidos segundo os critérios acima, para extração de CFP |
5- Montagem do extrator da calda:
Material:
a - 1 garrafa PET de 2 litros ou mais, sem tampa;
b - papel filtro do diâmetro da garrafa PET;
c - peso de papel ou outro material pesado;
d - pedaço de pano, ou de papel, com diâmetro pouco maior que a garrafa PET;
e - gomas elásticas;
f - fita adesiva para embalagem.
| Extrator de CFP já pronto com o papel filme no fundo do funil |
Montagem:
a - cortar a garrafa PET em duas partes, de modo que tenhamos um jarro equivalente a, aproximadamente, 1/3 da parte inferior da garrafa, e um funil equivalente a, aproximadamente, 2/3 da parte superior da garrafa;
b - encaixar a parte do funil na parte do jarro, de forma que o bico do funil fique dentro do jarro;
c - colocar o papel filtro no fundo do funil.
6 - Procedimento de extração da CFP:
a - colher as folhas, flores ou brotos, suficientes para encher, com folga, o funil de PET;
b - não lavar, descascar ou remover o orvalho (caso tenha) do material colhido. Se o material colhido estiver sujo, chacoalhe-o para remover a sujeita;
d - picar imediatamente o material colhido, em pedaços de 5 a 10 cm;
e - pesar o material picado;
f - misturar açúcar mascavo ao material picado, na proporção de 10% a 40% do peso do material picado. Quanto mais úmido for o material picado, menos açúcar mascado deve-se mistura;
| Folhas de bananeira e trevo já picados e misturados com açúcar mascavo. |
g - passar a fita de embalagem na junção do jarro com o funil de PET, impedindo assim que o funil se movimente, a entrada de ar ou insetos;
h - colocar o material misturado dentro do funil de PET e colocar o peso de papel sobre o material;
i - colocar um pano/papel sobre a boca do funil de PET e usar as gomas elásticas para prender o pano/papel;
j - guardar o extrator de calda e um local com temperatura ambiente de 20º a 30º e a sombra;
k - após 12 horas, destampar o extrator, remover o peso de papel e tampar novamente o funil com o pano;
l - repetir o passo "i" acima e aguardar a fermentação de 5 a 15 dias;
m - após o período de fermentação, remover a fita adesiva e transferir a CFP para outro recipiente, conforme instruções do item 9 abaixo.
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| CFP extraído depois de alguns dias de fermentação |
7 - Como verificar se a CFP está pronta:
- Quanto menor a temperatura, mais lenta a fermentação e mais dias deve-se aguardar para extração completa da calda. Um parâmetro médio é: temperatura por volta dos 27ºC/7 dias para fermentação;
- A calda extraída deve ter um odor que lembra fermentação, levemente agridoce para alcoólico;
- A cor varia de verde escuro a marrom, dependendo do material utilizado;
- A presença de fungos na superfície da calda (pequenos aglomerados brancos) também é normal e desejável.
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| CFP já fermentado |
8 - Como usar o CFP:
Sempre utilizar água não clorada para a diluição da CFP. Utilize a solução para pulverizar ou regar as plantas.
- Tratamento pré-plantio de sementes: deixar as sementes de molho, de 10 a 30 minutos, em solução de 15 ml de CFP por litro de água (15:1000). Quanto mais dura a semente, mais tempo de molho;
- Preparo de solo e berço para o plantio: pulverizar solução de 30:1000 (30 ml, ou 2 colheres de sopa, de CFP por litro de água) sobre o solo ou berço já pronto, 5 dias antes do plantio;
- Plantas recém germinadas e brotos: solução de CFP a 5:1000,de 15 em 15 dias;
- Pulverização foliar e zona de raízes de plantas já estabelecidas: solução de CFP a 10:1000 de 15 em 15 dias, por 2 meses. Depois de 2 meses, solução de CFP a 5:1000 de 15 em 15 dias;
- Plantas em floração: solução de CFP a 1:1000, de 20 em 20 dias, até o primeiro sinal de frutificação ou até as flores murcharem;
- Plantas com frutas: solução de CFP a 1:1000 nas folhas e zona de raízes, de 15 em 15 dias. Nas frutas, aguarde as mesmas atingir seu tamanho máximo, antes de amadurecer, e pulverize-as com solução de CFP a 1:2000, 1 vez. ATENÇÂO: A CFP só deve ser aplicada diretamente em frutas que não forem produzidas para fins comercias, pois a solução de CFP, embora aumente o teor de açucar das frutas (brix), pode causa algumas manchas na casca das algumas variedades de frutas, como maça e pera, tornando-as menos atrativa para o comercio. Na dúvida, faça o teste em alguns frutos;
- antes da colheita: solução de CFP a 1:5000, 7 dias antes da colheita;
- composto e minhocário: pulverizar solução de CFP a 15:1000 de 15 em 15 dias;
- alimentação de animais: substituir a água dos animais por solução de CFP a 15:1000. Excelentes probiótico para aves e porcos.
A pulverização deve ser feita pela manhã, antes das 9h00 ou após a chuva, com o tempo ainda nublado.
CFP também pode ser usado sobre os resíduos de cultura que serão incorporados ao solo, melhorando assim as condições fitossanitárias do solo pós e pré-cultura.
A eficiência do EM-5 pode ser potencializada misturado-o ao CFP em igual proporção.
9 - Conservação do CFP:
Caso não for utilizar a calda imediatamente, armazene-a dentro de uma garrafa PET escura, de modo que a CFP ocupe, no máximo, 2/3 da garrafa. Acrescentar 5% (volume) de açúcar mascavo a calda e agitar bem. Com a tampa da garrafa frouxa, armazenar na parte baixa da geladeira (não na porta) por até 3 meses ou até começar a exalar cheiro fétido. Uma vez por semana agitar o conteúdo da garrafa. Duas semanas após colocar a CFP na geladeira, a tampa deve ser apertada.
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| CFP pronto para ser armazenado na geladeira |
10 - Dicas:
- as primeiras plantas que brotam, logo após as chuvas, são outra boa opção para o preparo da CFP;
- plantas espontâneas (ditas daninhas) e plantas que ficam mais tempo verde no final do outono e que resistem bem ao inverno, são também uma ótima opção;
- os ponteiros e gemas das plantas, assim como brotações axilares dos ramos, são as partes mais ricas em nutrientes e hormônios de crescimento;
- extratos feitos de uma variedade só de planta são mais potentes, pois a fermentação se da mais por completa, já que a variedade da planta influi no tempo de fermentação;
- CFP de uma única planta, principalmente as feitas de brotos (ex.: CFP feito de broto de milho para pulverizar o milharal em formação), dão um resultado excepcional. Jojie Lim, filipina defensora e diceminadoras do uso do CFP, diz que "é como se dar leite materno a um bebê".
- plantas colhidas no período de lua cheia rendem mais calda;
- o material que sobrou da fermentação, que ficou no funil, pode ser colocado na composteira ou no minhocário como fonte de carbono;
- escreva sobre o pano/papel que tampa o fermentador a data de início da fermentação para facilitar o acompanhamento da data final do processo;
- se tiver problemas com formigas atacando o fermentador, coloque-o sobre um prato com água.
11 - Fontes:
- Natural Farming - Kyu, Cho Han - Janong Natural Farming Institute, 2003;
- A Natural Farming System for Sustainable Agriculture in the Tropics - Mikkelson, Keith O - Aloha House, Inc. Filipinas, 2005;
- Applied Natural Farming: Appropriate Technique in Tropic - Tancho, Arnat - Biotec MTEC Tailândia, 2008.
7 de dezembro de 2011
BioBalde - O Balde Ecológico
Compostagem é um método muito utilizado para reaproveitamento de resíduos orgânicos, tendo como resultado do processo: adubo de qualidade. O processo é de decomposição aeróbica e de natureza biológica, dependente de condições como balanço de nutrientes, relação de carbono e nitrogênio, umidade, temperatura, oxigênio e pH do meio, entre outros fatores, além de ser deveras trabalhoso e demorado. Em média, conseguimos um bom composto depois de várias reviradas na pilha, alguns litros de água e de 90 dias de espera.
Podemos diminuir muito o trabalho e o tempo para obtermos um adubo de qualidade, utilizando os restos da cozinha, através de uma técnica que foi criada no Japão e que é muito utilizada por lá e também nos EUA e da Europa: o Biobalde ou Ecobaldinho.
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Produto comercial, vendido nos EUA.
Imagem retirada do site teraganix.com |
1 - Sobre a fermentação
Fermentação é um processo que pode ser usado para tratamento de resíduos orgânicos, que usa microrganismos, resultado de decomposição anaeróbica, que resulta em adubo orgânico de qualidade. É semelhante ao processo de fazer conserva (picles) – uma cebola em conserva, por exemplo, ainda se parece com uma cebola, embora dentro dela tenha mudado completamente.
As vantagens da fermentação para produção de adubo orgânico são muitas, dentre elas podemos citar a liberação mínima de gases que provocam o efeito estufa, um produto final mais “nutritivo” e menor tempo gasto e trabalho até o fim do processo.
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| Baseado em documento do site www.em-la.com |
No quadro abaixo vemos um comparativo geral entre a decomposição aeróbica ou oxidativa, que ocorre na compostagem, e a decomposição anaeróbica ou fermentativa, que ocorre no BioBalde:
2 – Benefícios do uso do BioBalde
O uso do BioBalde nos traz os seguintes benefícios:
- O processo de fermentação dos resíduos orgânicos, utilizando-se o BioBalde, é 100% natural. É seguro para os seres humanos, animais e para o meio ambiente;
- Ajuda a reduzir a emissão de gazes que provoca o efeito estufa, com metano, e de gazes que provocam o mau cheiro, como o gás sulfídrico;
- Diminui a quantidade de lixo produzido em casa;
- Restauração do equilíbrio natural do solo, com a inoculação de microrganismos benéficos;
- Moscas e outros insetos e pragas não são atraídos pelo mau cheiro;
- Solos tratados com resíduos fermentados tendem a liberar mais os nutrientes, o que resultam em plantas mais saudáveis, maiores e com menos necessidade de fertilização;
- O valor nutricional orgânico e biológico dos resíduos fermentando é superior aos dos resíduos compostados;
- Todos os nutrientes estão biodisponíveis para absorção mais rapidamente do que os resíduos compostados;
3 – Montagem do BioBalde
Material:
- 1 balde de 10 ou 20 litros com tampa, que permita ser fechado hermeticamente. Pode ser baldes que já foram usados para armazenarem produtos alimentícios (banha, margarina, sorvete, dentre outros). NÃO use baldes que já foram usados para armazenarem produtos químicos;
- 1 torneira, dessas usadas em bebedouros/filtros de água;
- 1 peça de acrílico (opcional), que se encaixe perfeitamente dentro do fundo do balde.
Montagem:
- Fure o balde na lateral inferior, próximo a base, e introduza a torneira;
- Faça vários furos na peça de acrílico e coloque alguns “pezinhos” nela. Depois, posicione a peça de acrílico no fundo do balde. Essa peça será o fundo falso do balde que permitirá que o chorume, proveniente dos resíduos fermentados, escorra pelos furos e fique armazenado no fundo do balde, facilitando sua drenagem, além de impedir o entupimento da torneira pelos resíduos a fermentar.
Pode-se substituir a peça de acrílico por CAC, ou por carvão quebrado em pedaços pequenos, ou brita, etc. Neste caso, deve-se usar material suficiente para cobrir o cano da torneira e depois, cobrir esse material com um filó, evitando que o chorume entre em contato com os resíduos fermentados. Outra opção é utilizar dois baldes do mesmo tamanho, um encaixado dentro do outro, sendo que a torneira é colocada no balde que ficará por fora e os furos de drenagem são feitos no fundo do balde que ficará por dentro.
4 – O agente inoculante
O bokashi será o agente responsável pela inoculação dos resíduos com microorganismos benéficos e que darão início ao processo de fermentação.
Você pode usar a fórmula do bokashi caseiro ou, melhor ainda, usar o BOCAC, que é o nome que dei a mistura de bokashi com CAC. Essa mistura potencializa os poderes do bokashi, otimizando o controle de odores, dentre outros benefícios.
Para preparar o BOCAC, basta seguir a fórmula do bokashi caseiro, substituindo a casca de arroz da fórmula original por CAC.
Especialmente para o preparo deste BOCAC usei o EM-X, amostra comercial de EM, que ganhei de um representante do produto no Brasil.
Outras possibilidades de uso do BOCAC podem ser vistas no post Bokashi + CAC = BOCAC no blog microfundiourbano.blogspot.com.
5 – O que pode ser fermentado
Praticamente, qualquer resíduo orgânico pode ser fermentado no BioBalde:
- frutas e vegetais crus ou cozidos;
- flores e plantas murchas;
- alimentos preparada (cozidos, assados);
- carnes e peixes cruas ou cozidas/assados;
- queijos, ovos e casca de ovos;
- pães e massas em geral;
- ossos (desde que triturados em pequenos pedaços);
- pó de café, grão de café torrado e saquinhos de chá;
- lenços de papel e papel toalha.
- fezes de cães e gatos;
- líquidos em geral;
- sementes viáveis;
- resíduos putrefatos/estragados/mofados;
- alimentos muito gordurosos;
- papel, papelão e plástico.
6 – Como usar o BioBalde
- Espalhar de duas a quatro colheres de sopa, bem cheias, de BOCAC sobre o fundo de acrílico;
- Recolher os resíduos orgânicos da cozinha em um recipiente e, no fim da tarde ou pela noite, coloque-os no BioBalde, sobre o BOCAC;
- Comprimir levemente os resíduos, de modo a compactá-los;
- Espalhar mais uma camada, de duas a quatro colheres de sopa bem cheias, de BOCAC sobre os resíduos orgânicos;
- Tampar o BioBalde hermeticamente e guardar em um local com temperatura constante e ao abrigo da luz;
- Repetir o processo, de 1 até 5, uma vez por dia, sempre intercalando uma camada de resíduos e uma de BOCAC, até que o BioBalde esteja cheio;
- A última camada de BOCAC, a ser colocada quando o BioBalde estiver cheio, deve ser mais generosa: de quatro a seis colheres de sopa bem cheias;
- No segundo dia, após o BioBalde estar cheio e vedado, drenar o chorume pela torneira. Repetir o processo de drenagem de dois em dois dias;
- Depois de cheio, deixar os resíduos fermentarem no BioBalde por 15 dias.
7 – O chorume
A quantidade e a cor do chorume que será drenado do BioBalde dependerá dos tipos de resíduos orgânicos que serão colocados para fermentar. Legumes e frutas tendem a liberar mais chorume que outros resíduos. Não se preocupe se pouco ou quase nada de chorume foi produzido. Já a cor, pode variar de levemente amarelo até o vermelho intenso.
O chorume pode ser usado:
- Como fertilizante liquido para as plantas: Em vasos e floreiras, diluir 1 colher de sopa de chorume em 2 ou 3 litros água declorada. Para arbustos e árvores, diluir 2 colheres de sopa de chorume em 2 ou 3 litros de água. Regar o solo com essa mistura;
- Para limpeza de tubos e encanamentos: Despejar o chorume, sem diluição, nas pias, ralos, privadas e esgotos, pois este é um ótimo produto para limpar tubos e encanamentos.
8 – Uso do resíduo fermentado
Após a fermentação no BioBalde, os resíduos podem ser usados da seguinte maneira:
- Vasos/floreiras: adicionar 1/3 de substrato no fundo do vaso/floreira, depois 1/3 de resíduos fermentados e, por fim, mais 1/3 de substrato. Aguardar 7 dias antes de plantar/transplantar algo;
- Na horta: enterrar os resíduos fermentados a 25 cm de profundidade e a uma distância de 30 cm das plantas;
- No jardim: cavar uma trincheira/buraco de aproximadamente 25 cm de profundidade. Adicionar os resíduos fermentados na trincheira/buraco e misturar com um pouco de terra. Cobrir com a terra restante. Aguardar 7 dias e plante sobre ou ao lado da trincheira/buraco;
- Árvores e arbusto: cavar buracos de 25 a 30 cm de profundidade, em intervalos de 60 cm, ao redor da linha da copa da árvore/arbusto. Adicionar os resíduos ao buraco como nas instruções anteriores;
- Produzir "super-solo": cavar um buraco de 50x50x50 cm. Adicionar uma camada de 10 cm de resíduos fermentados e sobre esta uma camada de 10 cm de terra. Alternar as camadas até completar o buraco, sendo a última camada de terra. Aguardar 45 dias e retirar todo o conteúdo do buraco e usar esse "super-solo" como condicionador de solo;
- No minhocário: adicionar os resíduos fermentados ao minhocário e cobrir levemente;
- Na alimentação de animais: os resíduos fermentados são excelentes para alimentar galinhas, cabras e porcos;
- Como inoculante ou acelerador de compostagem: misturar os resíduos fermentados a pilha de compostagem, quando esta estiver na 4ª semana de compostagem.
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| Resíduos orgânicos já fermentados, dispostos dentro de uma trincheira, ao lado de um pé de mandioca. |
9 – Problemas que podem ocorrer
Se notar um forte cheiro de ranço/podre ou formação de fungos filamentosos verdes, pretos ou azuis, a causa pode ser:
- não foi adicionado BOCAC suficiente para a quantidade de resíduos orgânicos a fermentar;
- a tampa não foi fechada hermeticamente;
- o chorume não foi drenado durante o período recomendado;
- o BioBalde ficou exposto prolongadamente à luz direta ou a temperaturas extremas;
- use de bokashi ou BOCAC de má qualidade;
- resíduos orgânicos estragados ou podres foram adicionados ao BioBalde.
- Cavar um buraco de 30-35 cm de profundidade, longe das plantas;
- Adicionar, ao fundo do buraco, duas mãos bem cheias de BOCAC;
- Adicionar o resíduo do BioBalde e misturar com um pouco de terra;
- Espalhar mais duas mãos cheias de BOCAC sobre os resíduos;
- Cobrir o buraco com a terra restante;
- Aguardar 2 meses e plantar sobre ou ao redor do buraco.
10 - Dicas
- os resíduos fermentados têm aparência diferente de resíduos compostados. Como eles não se decompõem, enquanto estiverem fermentando dentro do BioBalde, a maioria de suas propriedades físicas originais se manterão, tendo uma aparência de conserva. A decomposição total dos resíduos fermentados ocorrerá poucas semanas depois deste ser transferido para o solo;
- o odor do produto final deve lembrar o do vinagre (acético) ou levemente agridoce;
- se for fermentar carnes, queijos, peixes e ovos – materiais ricos em proteína em geral – use de 4 a 6 colheres de sopa, bem cheias, de BOCAC;
- se a tampa do BioBalde não estiver vedando corretamente, o processo não ocorrerá a contento, já que o mesmo é anaeróbico (sem oxigênio);
- evite abrir o BioBalde mais de uma vez ao dia;
- para o BioBalde de 10 litros, acrescentar, no máximo, 1,5 litros de resíduos orgânicos, e para o de 20 litros, no máximo, 3 litros;
- certifique-se que as raízes das árvores não entrem em contato direto com os resíduos fermentados ao enterrá-los;
- é comum, mas não necessário, o surgimento de fungos filamentosos brancos, que lembram algodão, sobre os resíduos fermentados, após o período de 15 dias;
- não use o chorume como adubo foliar, pois este é muito ácido e pode queimar as folhas das plantas;
- após usar o BioBalde, lave-o apenas com água e uma escova;
- é bom ter, pelo menos, dois BioBalde, assim pode-se continuar o processo de recolher os resíduos orgânicos em um BioBalde, enquanto o outro BioBalde está fermentando;
- se tiver cães em casa, evite o acesso destes ao local onde foi enterrado os resíduos fermentados;
- podemos usar baldes de maior capacidade ou até tambores para fermentar um volume maior de resíduos orgânicos;
- o resíduos podem ser mantidos fermentando, dentro do BioBalde hermeticamente fechado, por até 1 anos antes de serem usados.
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Todos os elementos do BioBalde: balde de 10 lts com torneira, coletor de resíduos
orgânicos com capacidade de 1,5 lts, BOCAC e o fundo falso de acrílico.
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11 - Fontes
- EM: Effectieve microben of effectieve magie? Een onderzoek naar de effectiviteit van Effectieve Micro-organismen (EM) - Maart 2008 - Rapport 245;
- A Control Experiment Buried Fermented and Buried Non-Fermented Food Waste Soil Interactions - Lawrence R. Green MD PhD - August 2009;
- Agricultura Natural - Manual de Horta Caseira – Centro de Pesquisa Mokiti Okada – 2ª edição - 2008;
- Experiências do autor.
3 de outubro de 2009
Casca de Arroz Carbonizada
Ótimo material orgânico para substrato e um excelente condicionador de solo
1 - Sobre a casca de arroz e sua carbonização
A casca de arroz (também conhecida como palha de arroz) é composta de 20% de matéria inorgânica e 80% de matéria orgânica. Da fração orgânica temos: 50% de celulose, 26% de lignina e 4% de outros componentes como óleos e proteínas. A alta concentração de lignina e celulose impede o processo de decomposição da casca de arroz e reduz a biodisponibilidade dos outros compostos da casca de arroz. A decomposição orgânica da casca de arroz só é possível em meio aeróbico na presença de certos fungos específicos. Sobre condições anaeróbicas, como na compostagem, a casca de arroz não irá se decompor.
O processo de carbonização da casca de arroz foi identificado como método ideal para contornar o problema de excesso de lignina e celulose. A casca de arroz carbonizada (CAC) é resultante da combustão incompleta da casca de arroz sobre alta temperatura e condições de baixo oxigênio (pirólise). A pirólise causa a decomposição da lignina e da celulose liberando resíduos de carbono, sílica e outros minerais.

2 - Por que usar CAC?
CAC é excelente para dar permeabilidade e porosidade ao substrato, ao mesto tempo que contribui com residual de matéria orgânica e inorgânica.
Alem disso a CAC é um material extraordinário para ser usado no próprio solo de cultivo como condicionador do mesmo. O leito fica mais poroso permitindo melhor aeração das raízes. A cinza contida na CAC contribui com nutrientes como a sílica para cultura, além de potássio, cálcio, magnésio e outros micronutrientes. A CAC ainda melhora a retenção de água, contribui para uma leve elevação do pH e também melhora a capacidade de troca catiônica (CTC) do solo.
CAC é muito usado para fazer bokashi já que a é um meio natural de proliferação de microorganismos benéficos, podendo ser usado inclusive como meio inoculante de EM ou bactérias fixadoras de nitrogênio.
Outras utilidades para CAC são:
- purificação de água, já que a CAC é rica em carbono fixado (ativado) e este tem a capacidade de filtrar a água;
- controle de pragas, por ser rica em silica é um bom repelente de lesmas e caracóis;
- supressor de odores para cama animal, etc...
Sempre tentei carbonizar casca de arroz para usar como substrato no meu berçário e como condicionador de solo nos meus cultivos, pois alem das vantagens acima o saco de casca de arroz aqui na minha cidade sai por R$ 0,20.
Das várias tentativas que fiz nunca tive sucesso total, pois na maioria das vezes o fogo apagava, por falta de oxigênio, e tinha que acender de novo... e de novo... e de novo!
Encontrei na internet uma técnica usa nas Filipinas e na Tailândia que utiliza pouca madeira para queima e otimiza a utilização da energia gerada. É esse método que passo a descrever.
3 - Materiais necessários para construção do carbonizador
- Uma lata de 3,5 lts de tinta usada (ou outra qualquer de 2 a 4 litros);
- Um abridor de latas;
- Um prego 17 X 21 e martelo ou furadeira elétrica com broca de +ou- 3,5 mm polegadas;
- Um cano de 15 cm de diâmetros e aproximadamente 1,20 mts de comprimento (usei um cano de antena parabólica que encontrei no ferro velho) que será usado como chaminé.
4 - Procedimentos
1 – Usando o abridor de latas, retire a borda da lata onde a tampa se apóia;
2 – Faça um furo no fundo da lata do diâmetro interno do cano da chaminé;
3 – Utilizando o prego, ou a furadeira, faça centenas de furos na lateral da lata, deixando de 1 a 2 cm de distancia entre eles. Quanto mais furos, mais rápida será a carbonização.

- Palha, madeira, estopa e outros materiais para queimar;
- Querosene e fósforo;
- De 1 a 3 sacos de casca de arroz;
- Uma pá;
- Carbonizador construido acima;
6 - Procedimento
1) Encher o carbonizador com o material a ser queimado (madeira, palha, etc...);
2) Embeba a estopa em um pouco de querosene, coloque fogo na estopa e coloque o carbonizador sobre ela;
3) Coloque a chaminé sobre o carbonizador;
4) Despeje o saco de casca de arroz sobre o carbonizador. É muito importante que toda o carbonizador seja coberta pela palha, não deixando nenhuma fresta.
5) Após uns 20 minutos a casca começa a ficar preta, indicando que a carbonização está ocorrendo perfeitamente.
Com o tempo, a casca queimada começa a perder densidade e o monte de casca começa a se desfazer, deixando o carbonizador exposto. Nessa hora joga-se, com ajuda da pá, a casca da base do monte sobre o carbonizado para cobri-lo totalmente novamente. Se o carbonizador não estiver totalmente coberto com a casca de arroz você terá somente cinza.
1 - Sobre a casca de arroz e sua carbonização
A casca de arroz (também conhecida como palha de arroz) é composta de 20% de matéria inorgânica e 80% de matéria orgânica. Da fração orgânica temos: 50% de celulose, 26% de lignina e 4% de outros componentes como óleos e proteínas. A alta concentração de lignina e celulose impede o processo de decomposição da casca de arroz e reduz a biodisponibilidade dos outros compostos da casca de arroz. A decomposição orgânica da casca de arroz só é possível em meio aeróbico na presença de certos fungos específicos. Sobre condições anaeróbicas, como na compostagem, a casca de arroz não irá se decompor.
O processo de carbonização da casca de arroz foi identificado como método ideal para contornar o problema de excesso de lignina e celulose. A casca de arroz carbonizada (CAC) é resultante da combustão incompleta da casca de arroz sobre alta temperatura e condições de baixo oxigênio (pirólise). A pirólise causa a decomposição da lignina e da celulose liberando resíduos de carbono, sílica e outros minerais.

2 - Por que usar CAC?
CAC é excelente para dar permeabilidade e porosidade ao substrato, ao mesto tempo que contribui com residual de matéria orgânica e inorgânica.
Alem disso a CAC é um material extraordinário para ser usado no próprio solo de cultivo como condicionador do mesmo. O leito fica mais poroso permitindo melhor aeração das raízes. A cinza contida na CAC contribui com nutrientes como a sílica para cultura, além de potássio, cálcio, magnésio e outros micronutrientes. A CAC ainda melhora a retenção de água, contribui para uma leve elevação do pH e também melhora a capacidade de troca catiônica (CTC) do solo.
CAC é muito usado para fazer bokashi já que a é um meio natural de proliferação de microorganismos benéficos, podendo ser usado inclusive como meio inoculante de EM ou bactérias fixadoras de nitrogênio.
Outras utilidades para CAC são:
- purificação de água, já que a CAC é rica em carbono fixado (ativado) e este tem a capacidade de filtrar a água;
- controle de pragas, por ser rica em silica é um bom repelente de lesmas e caracóis;
- supressor de odores para cama animal, etc...
Sempre tentei carbonizar casca de arroz para usar como substrato no meu berçário e como condicionador de solo nos meus cultivos, pois alem das vantagens acima o saco de casca de arroz aqui na minha cidade sai por R$ 0,20.
Das várias tentativas que fiz nunca tive sucesso total, pois na maioria das vezes o fogo apagava, por falta de oxigênio, e tinha que acender de novo... e de novo... e de novo!
Encontrei na internet uma técnica usa nas Filipinas e na Tailândia que utiliza pouca madeira para queima e otimiza a utilização da energia gerada. É esse método que passo a descrever.
3 - Materiais necessários para construção do carbonizador
- Uma lata de 3,5 lts de tinta usada (ou outra qualquer de 2 a 4 litros);
- Um abridor de latas;
- Um prego 17 X 21 e martelo ou furadeira elétrica com broca de +ou- 3,5 mm polegadas;
- Um cano de 15 cm de diâmetros e aproximadamente 1,20 mts de comprimento (usei um cano de antena parabólica que encontrei no ferro velho) que será usado como chaminé.
4 - Procedimentos
1 – Usando o abridor de latas, retire a borda da lata onde a tampa se apóia;
2 – Faça um furo no fundo da lata do diâmetro interno do cano da chaminé;
3 – Utilizando o prego, ou a furadeira, faça centenas de furos na lateral da lata, deixando de 1 a 2 cm de distancia entre eles. Quanto mais furos, mais rápida será a carbonização.

Carbonizador
5 - Material necessário para carbonizar a casca de arroz - Palha, madeira, estopa e outros materiais para queimar;
- Querosene e fósforo;
- De 1 a 3 sacos de casca de arroz;
- Uma pá;
- Carbonizador construido acima;
6 - Procedimento
1) Encher o carbonizador com o material a ser queimado (madeira, palha, etc...);
2) Embeba a estopa em um pouco de querosene, coloque fogo na estopa e coloque o carbonizador sobre ela;
3) Coloque a chaminé sobre o carbonizador;
4) Despeje o saco de casca de arroz sobre o carbonizador. É muito importante que toda o carbonizador seja coberta pela palha, não deixando nenhuma fresta.
5) Após uns 20 minutos a casca começa a ficar preta, indicando que a carbonização está ocorrendo perfeitamente.
Com o tempo, a casca queimada começa a perder densidade e o monte de casca começa a se desfazer, deixando o carbonizador exposto. Nessa hora joga-se, com ajuda da pá, a casca da base do monte sobre o carbonizado para cobri-lo totalmente novamente. Se o carbonizador não estiver totalmente coberto com a casca de arroz você terá somente cinza.

Carbonizador + chaminé já fumegando (A)
Carbonizador + casca de arroz (B)
Carbonizador fumegando e casca de arroz já iniciando a carbonização (C)
No fim do processo, casca de arroz já toda carbonizada (D)
Carbonizador + casca de arroz (B)
Carbonizador fumegando e casca de arroz já iniciando a carbonização (C)No fim do processo, casca de arroz já toda carbonizada (D)
Quando toda a casca estiver carbonizada, remova com a pá o material carbonizado do carbonizador e espalhe em uma fina cada para que esfrie. Depois de fria, a CAC pode ser usada ou estocada.

7 - Dicas:
- CAC pode participar com até 33% do volume total do substrato final;
- Se tiver arvores ou pomar em casa, carbonize a casca de arroz no meio do pomar ou debaixo de uma arvore para aproveitar a fumaça gerada como fonte de CO2 para as árvores;
- A quantidade de casca de arroz que se transforma em cinza é rica em sílica, por isso use uma mascara para manipular a CAC para evitar problemas pulmonares;
- Muito cuidado com a chaminé e o carbonizador, durante e depois do processo, pois eles ficam muito quentes e pode provocar queimaduras ao mais simples contato;
- Esse carbonizador é suficiente para carbonizar de 1 a 3 sacos de casca de arroz de uma vez só. Para carbonizar de 4 a 30 sacos, use uma lata de 18 lts e uma chaminé de 1,80 a 2 mts de altura. O esquema para construção do carbonizador de 18 lts é o mesmo do de 3,5 lts;
- O mesmo processo usado para casca de arroz pode ser usado para carbonizar outros materiais como sabugo de milho, bagaço de cana, etc...
8 - Fontes:
- Application Of Rice Husk Charcoal, Practical Technologies No 2001-4 da Food and Fertilizer Technology Center (FFTC);
- Carbonized Rice Hull, Rice Technology Bulletin no. 47 2005;
- Como fazer e esterilizar substratos orgânicos. Milton Maciel, Editora Solo Vivo.

CAC espalhada para esfriar
7 - Dicas:
- CAC pode participar com até 33% do volume total do substrato final;
- Se tiver arvores ou pomar em casa, carbonize a casca de arroz no meio do pomar ou debaixo de uma arvore para aproveitar a fumaça gerada como fonte de CO2 para as árvores;
- A quantidade de casca de arroz que se transforma em cinza é rica em sílica, por isso use uma mascara para manipular a CAC para evitar problemas pulmonares;
- Muito cuidado com a chaminé e o carbonizador, durante e depois do processo, pois eles ficam muito quentes e pode provocar queimaduras ao mais simples contato;
- Esse carbonizador é suficiente para carbonizar de 1 a 3 sacos de casca de arroz de uma vez só. Para carbonizar de 4 a 30 sacos, use uma lata de 18 lts e uma chaminé de 1,80 a 2 mts de altura. O esquema para construção do carbonizador de 18 lts é o mesmo do de 3,5 lts;
- O mesmo processo usado para casca de arroz pode ser usado para carbonizar outros materiais como sabugo de milho, bagaço de cana, etc...
8 - Fontes:
- Application Of Rice Husk Charcoal, Practical Technologies No 2001-4 da Food and Fertilizer Technology Center (FFTC);
- Carbonized Rice Hull, Rice Technology Bulletin no. 47 2005;
- Como fazer e esterilizar substratos orgânicos. Milton Maciel, Editora Solo Vivo.
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